Título em inglês:
Sevabertinib in Advanced HER2-Mutant Non–Small-Cell Lung Cancer
Título em português:
Sevabertinibe em câncer de pulmão células não pequenas avançado com mutação de HER2
Citação:
Le X, Kim TM, Loong HH, Prelaj A, Goh BC, Li L, et. al. SOHO-01 Investigators. Sevabertinib in Advanced HER2-Mutant Non-Small-Cell Lung Cancer. N Engl J Med. 2025 Nov 6;393(18):1819-1832. doi: 10.1056/NEJMoa2511065.
Resumo do artigo:
SOHO-1 é um artigo fase I/II multicêntrico que avaliou um novo inibidor de tirosina quinase chamado sevabertinibe (BAY 2927088). Esse inibidor reversível contra mutações de HER2 e de EGFR foi avaliado em 209 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas com mutação de HER2, divididos em 3 coortes:
– Coorte D: pacientes tratados previamente, mas não com droga anti-HER2;
– Coorte E: pacientes tratados previamente com anticorpo conjugado à droga anti-HER2;
– Coorte F: pacientes virgens de tratamento.
O desfecho primário foi taxa de resposta objetiva e desfechos secundários foram duração de resposta e tempo livre de progressão. O estudo teve outras coortes iniciais nas quais foi avaliada a dose ideal da medicação, que ficou estabelecida em 20 mg 2x ao dia. A idade mediana dos pacientes nas 3 coortes foi entre 60 – 65 anos, sendo a maioria mulheres, asiáticos, ECOG 1 e não fumantes. A maioria dos pacientes da coortes D e E receberam quimioterapia baseada em platina junto com imunoterapia. A taxa de resposta objetiva foi de 64%, 38% e 71%, respectivamente, para coortes D, E e F. Ao final do seguimento 13,8 meses, a mediana de duração de resposta foi de 9,2 meses na coorte de pacientes tratados previamente sem anti-HER2 (coorte D), 8,5 meses na coorte tratada previamente com anticorpo conjugado à droga anti-HER2 (coorte E) e 11 meses na coorte virgem de tratamento (coorte F), por avaliação central independente. A mediana de tempo livre de progressão foi de 8,3 meses na coorte D e 5,5 meses na coorte E, com dados ainda imaturos para a coorte F. Dentre os pacientes com metástases cerebrais, houve resposta em 61% dos pacientes previamente tratados sem anti-HER2, 78% nos pacientes virgens de tratamento e 27% nos previamente tratados com anticorpo conjugado à droga anti-HER2. Os dados de segurança mostraram que todos os pacientes tiveram algum efeito colateral, sendo diarreia o mais comum, presente em mais de 80% dos pacientes nas 3 coortes. Ainda assim, a redução de dose ocorreu apenas em cerca de 10% dos pacientes. Outros eventos adversos comuns relacionados à medicação foram rash e paroníquia.
Foi feita ainda uma análise exploratória de biomarcadores nos pacientes da coorte D, porque era a maior coorte e com dados mais maduros de seguimento. A mutação de inserção no éxon 20 mais prevalente (Y772_A775dupYVMA) pareceu ter maior taxa de resposta objetiva e mediana de tempo livre de progressão quando comparada a outras mutações. Além disso, foi analisado DNA circulante tumoral (ctDNA) e uma relação diretamente proporcional entre fração alélica e volume de doença metastática foi vista. Comutação de TP53 e detecção persistente de ctDNA após tratamento se relacionaram a menor tempo livre de progressão.
Comentário da avaliadora científica:
A mutação de HER2 está presente em apenas 3% dos cânceres de pulmão aproximadamente, mas está relacionada a piores desfechos de resposta e sobrevida. Neste cenário, novos tratamentos específicos anti-HER2 (trastuzumabe-deruxtecan e zongertinibe) mostraram dados promissores em linhas subsequentes e receberam aprovação acelerada pela agência regulatória americana FDA (Food and Drug Administration). Apesar do seguimento de pouco mais de 1 ano, os dados de sevabertinibe são animadores, pois mostraram altas taxas de resposta mesmo na população já previamente tratada e, principalmente, na população virgem de tratamento. Efeitos adversos parecem ser mais comuns com sevabertinibe em comparação às outras medicações disponíveis, apesar de não haver estudo que compare diretamente as drogas. Mais de 80% dos pacientes apresentaram algum grau de diarreia, efeito que parece relacionado a essa droga e não ao alvo, visto que nos outros estudos com medicação anti-HER2 a diarreia foi reportada em menos de 30% dos casos. Apesar disso, a descontinuação da droga por efeito adverso ocorreu em menos de 10% dos casos, o que sugere que os efeitos adversos manejáveis, ainda que comuns. Portanto, sevabertinibe mostrou eficácia em pacientes com câncer de pulmão com mutação de HER2 e recebeu, em novembro de 2025, aprovação acelerada pelo FDA. Aguardamos dados do estudo de fase 3 em andamento.
Avaliadora científica:
Dra. Beatriz Viesser Miyamura
Oncologista clínica pelo Einstein Hospital Israelita – São Paulo/SP
Atua no Einstein Hospital Israelita
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