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Sobrevida Global com Amivantamabe–Lazertinibe em Câncer de Pulmão de Células Não Pequenas Avançado com Mutação no EGFR

Citação:

Yang JC, Lu S, Hayashi H, Felip E, Spira AI, Girard N, et al. (2025). ” MARIPOSA Investigators. Overall Survival with Amivantamab-Lazertinib in EGFR-Mutated Advanced NSCLC. N Engl J Med. 2025 Oct 30;393(17):1681-1693. doi: 10.1056/NEJMoa2503001

 

Resumo do artigo:

MARIPOSA é um estudo de fase 3, randomizado, que avaliou o uso da associação de amivantamabe com lazertinibe em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) com mutações em EGFR, sem tratamento prévio. O estudo randomizou 1.074 pacientes com CPNPC localmente avançado ou metastático, portadores de mutação em EGFR (deleção do éxon 19 ou L858R) não tratados anteriormente, na proporção de 2:2:1 para receber amivantamabe–lazertinibe, osimertinibe ou lazertinibe (incluído no estudo para avaliar a contribuição dos componentes no tratamento combinado).

O amivantamabe intravenoso foi administrado semanalmente nas primeiras 4 semanas, depois a cada 2 semanas, e o osimertinibe (80 mg) e lazertinibe (240 mg) foram administrados por via oral diariamente. Os braços de monoterapia com osimertinibe e lazertinibe foram conduzidos de forma duplo-cega, e a randomização foi estratificada de acordo com o tipo de mutação em EGFR (Ex19del ou L858R), raça asiática (sim ou não) e histórico de metástases cerebrais (sim ou não).

Na primeira publicação, foram relatados os resultados iniciais, ainda com dados imaturos de sobrevida global (SG). A sobrevida livre de progressão (SLP) mediana foi significativamente maior no grupo amivantamabe–lazertinibe do que no grupo osimertinibe (23,7 vs. 16,6 meses; razão de risco para progressão da doença ou morte, 0,70; IC 95%, 0,58–0,85; P<0,001). Uma resposta objetiva foi observada em 86% dos pacientes (IC 95%, 83–89) no grupo amivantamabe–lazertinibe e em 85% (IC 95%, 81–88) no grupo osimertinibe.

A análise final de SG estava prevista para ocorrer após 390 mortes nos grupos de amivantamabe–lazertinibe e osimertinibe. No momento dessa segunda análise, haviam ocorrido 173 mortes no grupo amivantamabe–lazertinibe e 217 no grupo osimertinibe. A SG em 3 anos foi de 60% (IC 95%, 55–64) com amivantamabe–lazertinibe e 51% (IC 95%, 46–55) com osimertinibe. A mediana de SG não pôde ser estimada para o grupo amivantamabe–lazertinibe, enquanto foi de 36,7 meses para o grupo osimertinibe, resultando em razão de risco para morte de 0,75 (IC 95%, 0,61–0,92; P=0,005), indicando benefício significativo da combinação. Embora a quantidade total de eventos prevista para a análise final não tivesse sido completamente atingida, a projeção de um ganho superior a 12 meses na mediana de SG com amivantamabe–lazertinibe foi confirmada por cinco modelos paramétricos amplamente utilizados.

Observou-se que a porcentagem de pacientes que recebeu terapia subsequente foi semelhante entre os braços (74–76%). Chama atenção que a mediana de SLP intracraniana entre os participantes com histórico de metástases cerebrais foi de 25,4 meses (IC 95%, 20,1–29,5) no grupo amivantamabe–lazertinibe e de 22,2 meses (IC 95%, 18,4–26,9) no grupo osimertinibe.

Em relação ao perfil de segurança, os dados dessa segunda publicação foram consistentes com os observados na análise primária. A maioria dos eventos adversos estava relacionada à inibição de EGFR (por exemplo, paroníquia e rash) e à inibição de MET (por exemplo, hipoalbuminemia e edema periférico). Destaca-se que pelo menos um evento adverso de grau 3 ou superior ocorreu em 80% dos pacientes no grupo amivantamabe–lazertinibe e em 52% no grupo osimertinibe, sendo observada maior incidência de tromboembolismo venoso (40% com a combinação vs. 11% com osimertinibe), e que a maioria desses eventos ocorreu nos primeiros quatro meses de tratamento.

 

Comentário da avaliadora científica:

Representando uma verdadeira quebra de paradigma no tratamento dos pacientes com CPNPC EGFR mutado, os estudos FLAURA2 e MARIPOSA demonstraram benefício de sobrevida global (SG) com a intensificação terapêutica na primeira linha, em comparação à monoterapia com osimertinibe. No MARIPOSA, a combinação reduziu em 25% o risco de morte, mas esse ganho deve ser interpretado à luz de um perfil de toxicidade mais complexo: 80% dos pacientes apresentaram eventos adversos ≥G3 e tromboembolismo venoso em 40%. Uma minoria recebeu profilaxia de eventos tromboembólicos, e estudos subsequentes (COCOON e PALOMA) mostraram que protocolos de prevenção e a formulação subcutânea de amivantamabe melhoram a tolerabilidade.

Dados do IASLC WCLC 2024 evidenciaram manutenção da qualidade de vida global e menor deterioração de sintomas respiratórios, reforçando o valor clínico do benefício de sobrevida observado. A combinação representa avanço relevante, com o desafio de identificar perfis clínico-moleculares que permitam personalizar seu uso, equilibrando benefício, toxicidade e custo terapêutico.

 

Avaliadora científica:

Dra. Marília Dourado Santos Loula

Oncologista clínica pelo Hospital São Rafael – Salvador/BA

Oncologista na Rede D’Or Bahia e nas Obras Sociais Irmã Dulce

Instagram: @marilialoula

Cidade de atuação: Salvador/BA

 

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Editora
Dra. Martina Arenhardt
Médica oncologista pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Saiba mais.
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