PSMAddition
Título em português:
PSMAddition – um estudo de fase 3 da combinação de Lutécio-PSMA-617 em combinação com ADT + ARPI em pacientes com câncer de próstata metastático sensível a castração com PSMA positivo
Título em inglês:
Phase 3 trial of [177Lu] Lu-PSMA-617 combined with ADT + ARPI in patients with PSMA-positive metastatic hormone-sensitive prostate cancer (PSMAddition)
Resumo do artigo:
O estudo PSMAddition compara a adição de Lutécio-PSMA-617 (Lu-617) a ADT + ARPI com tratamento padrão com ADT + ARPI em pacientes com câncer de próstata metastático sensível a castração que tenham PET-PSMA positivos. O objetivo primário do estudo era sobrevida livre de progressão radiológica (rSLP) e o objetivo secundário sobrevida global (SG). Esta publicação representa a segunda análise interina, com follow-up mediano de 23.6 meses. 1144 pacientes foram randomizados 1:1 para receberem a combinação de Lu-617 com o tratamento padrão. Lu-617 foi feiro na dose de 7.4 GBq a cada 6 semanas, por um total de 6 ciclos.
O objetivo primário do estudo foi atingido com rSLP mediana não atingida em ambos os braços, porém com HR 0.72 (IC 95%, 0.58 – 0.90; p = 0.002). O benefício clínico foi consistente em todos os subgrupos. A análise de SG não mostrou ganho significativo, porém os dados ainda são imaturos. A combinação demonstrou segurança em sua utilização, com perfil de toxicidade conhecido de dados prévios com aumento de efeitos como boca sexa, náuseas, digeusia, diarreia, inapetência, constipação e vômitos nos pacientes que receberam Lu-617.
Como conclusão os dados apresentados demonstram uma promissora nova estratégia de tratamento dos pacientes com câncer de próstata metastático sensível a castração. Dados de sobrevida global ainda devem ser maturados. Permanece a discussão sobre o padrão de tratamento entre terapia dupla, terapia tripla com adição de quimioterapia e agora a possível adição de uma terapia radioligante.
IMvigor011
Título em português:
IMvigor 011: Um estudo de fase III de advjuvância guiada por DNA tumoral circulante com Atezolizumabe vs placebo em câncer de bexiga músculo-invasivo
Título em inglês:
IMvigor011: a Phase 3 trial of circulating tumour (ct)DNA-guided adjuvant atezolizumab vs placebo in muscle-invasive bladder cancer
Resumo do artigo:
O estudo de fase III, IMvigor011, comparou o uso de atezolizumabe com placebo em pacientes com DNA tumoral circulante (ctDNA) positivo após cistectomia radical e linfadenectomia pélvica em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo. Após a cistectomia, pacientes foram submetidos a dosagem de ctDNA a cada 6 semanas pelo período de um ano. Pacientes com ctDNA positivo eram randomizados 2:1 para atezolizumabe 1680mg a cada 4 semanas por até um ano ou placebo. 756 pacientes foram selecionados, com 379 destes tendo apresentado ctDNA positivo em qualquer momento do follow-up e então sendo randomizados. O objetivo primário do estudo é sobrevida livre de doença (SLD), com sobrevida global (SG) como secundário.
167 pacientes receberam tratamento com atezolizumabe vs 83 com placebo. O estudo apresentou ganho de SLD com mediana 9.9 vs 4.8 meses (HR 0.64; IC 95%, 0.47 – 0.87; p = 0.0047). Também houve ganho de SG com mediana de 32.8 vs 21.1 meses (HR 0.59; IC95%, 0.39 – 0.90; p = 0.0131). O estudo mostrou consistência entre SLD e SG em pacientes que mantiveram ctDNA negativo durante o período.
O uso de atezolizumabe adjuvante guiado por ctDNA apresentou benefício de SLD e SG, trazendo uma opção interessante de adjuvância para pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo, apesar dos dados negativos do estudo IMvigor010 que não selecionava pacientes por ctDNA para a intervenção. O uso de ctDNA para selecionar pacientes para receberem tratamento adjuvante traz uma perspectiva importante visando melhores desfechos oncológicos, com possibilidade de poupar de tratamento pacientes com ctDNA negativo após a cirurgia.
KEYNOTE 905
Título em português:
Enfortumabe-vedotin em combinação com Pembrolizumabe em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo que são inelegíveis a cisplatina: KEYNOTE 905, um estudo de fase 3
Título em inglês:
Perioperative Enfortumab Vedotin Plus Pembrolizumab in Participants With Muscle-invasive Bladder Cancer Who Are Cisplatin-ineligible: Phase 3 KEYNOTE-905 Study
Resumo do artigo:
O estudo de fase III, Keynote 905, comparou a realização de tratamento perioperatório com a combinação de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe (EV+P) e cistectomia versus cistectomia isolada em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasiva (≥T2) inelegíveis ao uso de cisplatina ou que eram elegíveis, porém recusavam o tratamento. Foram randomizados 344 pacientes, tendo recebido a intervenção 170 pacientes, dos quais 142 eram inelegíveis e 28 elegíveis, porém declinaram o tratamento. Pacientes do braço intervenção recebiam EV 1,25mg/m2 D1 e D8 em combinação com Pembrolizumabe 200mg D1 a cada 21 dias por 3 ciclos antes da cirurgia e 6 ciclos da combinação EV + P, seguido por manutenção de Pembrolizumabe 200mg a cada 21 dias por 14 ciclos. Pacientes de ambos os braços do estudo eram submetidos a cistectomia radical com linfadenectomia pélvica. O desfecho primário foi sobrevida livre de eventos (SLE), tendo sobrevida global (SG) e taxa de resposta patológica completa (RPC) como desfechos secundários.
Dos 170 pacientes que receberam intervenção, 149 foram submetidos a cirurgia enquanto 156 dos 174 pacientes do braço controle foram operados. O estudo mostrou ganho significativo na SLE com o tratamento peri-operatório, com uma mediana não atingida vs 15,7 meses (HR 0,40; IC 95%, 0.28 – 0.57, p < 0.0001). Também houve ganho de SG com mediana não atingida vs 41.7 meses (HR 0.50; IC 95%, 0.33 – 0.74; p = 0.0002) em favor da combinação perioperatório. A combinação peri-operatória também levou a aumento de RPC com 57.1 x 8.6%. O perfil de efeitos colaterais do grupo intervenção foi compatível com os dados do uso da combinação EV+P na doença metastática, apresentando 71% de efeitos adversos (EA) grau III, sendo mais prevalentes anemia (30.5%), prurido.
A combinação de enfortumabe vedotina + pembrolizumabe torna-se um novo padrão de tratamento para paciente com câncer de bexiga músculo-invasivo inelegíveis ou que recusam tratamento com cisplatina, com ganho estatisticamente significativo de SLE, SG e RCP. O estudo traz também a esperança de novas possibilidades de tratamentos perioperatórios nos pacientes candidatos a platina, tendo em vista as boas respostas vistas neste cenário, bem como o uso da combinação na doença metastática.
RC48-C016
Título (newsletter)
Disatamab-vedotin + Toripalimabe versus quimioterapia em primeira linha em paciente com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático com expressão de HER-2
Título em inglês:
Disatamab vedotin (DV) plus toripalimab (T) versus chemotherapy (C) in first line (1L) locally advanced or metastatic urothelial carcinoma (Ia/mUC) with HER2-expression
Resumo do artigo:
O estudo RC48-C016 compara a combinação de disatamabe vedotin (DV), um anticorpo-droga conjugado (ADC) que tem como alvo o HER-2, e toripalimabe (T) um anticorpo monoclonal anti-PD-1 versus doublet de quimioterapia baseada em platina em pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático com expressão de HER-2. 484 pacientes foram randomizados 1:1 para receber a combinação ou quimioterapia.
O estudo demonstra ganho de sobrevida livre de progressão (SLP) da combinação DV+T com mediana de 13.1 vs 6.5 meses (HR 0.6; IC 95%, 0.28 – 0.46; p < 0.0001). Também houve ganho de sobrevida global (SG) com mediana de 31.5 vs 16.9 meses (HR 0.54; IC 95%, 0.41 – 0.73; p < 0.0001). O benefício visto tanto em SLP como em SG foi consistente em todos os subgrupos, inclusive independente da expressão de HER-2, seja 1+ ou 2+/3+. VD+T também demonstrou ganho em taxa de resposta objetiva (TRO) com 76.1 x 50.2% dos pacientes em resposta e em duração de resposta com mediana de 14.6 vs 5.6 meses. 55.1% dos pacientes apresentaram efeitos adversos ≥ grau 3 na combinação de DV+T vs 86.9% com quimioterapia.
DV+T representa novo padrão de tratamento de primeira linha para os pacientes com carcinoma urotelial avançado com expressão de HER-2. O benefício do tratamento independe do grau de expressão de HER-2. DV já é previamente aprovado na china, porém ainda não possui aprovação nos EUA e no Brasil, configurando uma barreira de acesso.
Avaliador científico:
Dr. Paulo Franzoni da Silva
Oncologista Clínico pelo Einstein Hospital Israelita
Oncologista Clínico no Einstein Hospital Israelita
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