Título em português:
Perfusão Hepática Percutânea Combinada com Ipilimumabe e Nivolumabe em Melanoma Uveal Metastático: um estudo de fase 2, aberto, randomizado, centro único (CHOPIN)
Título em inglês:
Combined Percutaneous Hepatic Perfusion with Ipilimumab plus Nivolumab in Metastatic Uveal Melanoma: a single center, open-label, randomized, phase 2 study (CHOPIN)
Resumo do artigo:
O CHOPIN Trial foi um estudo clínico de Fase 2, randomizado e prospectivo, que avaliou o uso da perfusão hepática percutânea (PHP) com melphalan por meio do sistema CHEMOSAT® isoladamente ou em combinação com os imunoterápicos ipilimumabe e nivolumabe em pacientes com melanoma uveal metastático com até 50% de envolvimento hepático. Setenta e seis pacientes foram divididos igualmente entre os grupos: PHP isolado e PHP combinado à imunoterapia. O tratamento incluiu duas sessões de PHP (semanas 1 e 7) e, no grupo combinado, quatro ciclos de ipilimumabe e nivolumabe ao longo de nove semanas.
Os resultados mostraram melhora significativa na sobrevida livre de progressão (SLP) no grupo combinado — 12,8 meses versus 8,3 meses (HR 0,34; p < 0,001) — e uma taxa de resposta global de 76,3%, em comparação a 39,5% no grupo PHP isolado. A sobrevida global (SG) também foi superior no grupo combinado (23,1 meses vs 19,6 meses; HR 0,39; p = 0,006), com taxas de sobrevida em dois anos de 49,6% contra 22,1%.
Embora os eventos adversos graves (grau ≥ 3) tenham sido mais frequentes no grupo combinado (81,6% vs 40,5%), a maioria foi manejável e não surgiram novos sinais de segurança. O estudo conclui que a combinação de PHP com imunoterapia é eficaz e bem tolerada, indicando sinergia entre o tratamento locorregional e a imunoterapia sistêmica.
Como conclusão, esses achados reforçam o potencial transformador dessa estratégia combinada, consolidando um novo caminho terapêutico promissor para pacientes com melanoma uveal metastático com doença predominantemente hepática.
Título em português:
PLUME: um ensaio clínico de fase II, braço único, avaliando pembrolizumabe em combinação com lenvatinibe em pacientes com melanoma uveal metastático.
Título em inglês:
PLUME: a single-arm phase II trial of pembrolizumab plus lenvatinib in patients with metastatic uveal melanoma
Resumo do artigo:
O estudo PLUME (Fase 2) avaliou a combinação de pembrolizumabe e lenvatinibe em pacientes com melanoma uveal metastático, tanto HLA-A*02:01–negativos quanto positivos (estes últimos previamente tratados com tebentafusp). O ensaio, de braço único, acadêmico e conduzido no Instituto Curie (França), incluiu 51 pacientes que não haviam recebido previamente inibidores de checkpoint imunológico. O tratamento consistiu em pembrolizumabe 200 mg IV a cada 3 semanas por até 35 ciclos, associado a lenvatinibe 20 mg por via oral diariamente até progressão.
O estudo atingiu seu endpoint primário, mostrando sobrevida livre de progressão em 27 semanas de 31,8% (IC 95% 13,9 – 54,9) nos pacientes HLA-A*02:01–negativos e virgens para tebentafusp, e de 60,7% (IC 95% 40,6 – 78,5) nos HLA-A*02:01 – positivos previamente tratados com tebentafusp. Esses resultados sugerem atividade clínica promissora, especialmente no grupo previamente exposto a tebentafusp, indicando uma possível sinergia entre as terapias.
O perfil de segurança foi consistente com estudos anteriores de pembrolizumabe e lenvatinibe, sem mortes relacionadas ao tratamento. Os efeitos adversos mais comuns incluíram fadiga, hipertensão, diarreia, hipotireoidismo e artralgia, sendo geralmente manejáveis com ajustes de dose. O lenvatinibe exigiu interrupções em 76% dos pacientes e reduções de dose em 26%.
Embora os resultados sejam encorajadores, ressalta-se que o pequeno tamanho amostral e o desenho de braço único exigem interpretação cautelosa, e análises adicionais de biomarcadores e dados do mundo real estão em andamento para refinar a seleção de pacientes.
Título em português:
Eficácia e segurança do IMA203, uma terapia celular com receptor de célula T (TCR) direcionada ao PRAME, em pacientes previamente tratados com melanoma uveal avançado ou metastático, proveniente de um ensaio clínico de fase I.
Título em inglês:
Efficacy and safety of IMA203, a PRAME-directed T-cell receptor (TCR) T-cell therapy, in patients with previously treated advanced or metastatic uveal melanoma from a phase I trial
Resumo do artigo:
Um dos estudos mais impactantes da Sessão Presidencial do ESMO 2025 foi o ensaio clínico de fase 1b do IMA-203 (anzu-cel, anzutresgene autoleucel) — uma terapia celular baseada em TCR-T, direcionada ao antígeno tumoral PRAME. A escolha do estudo para essa sessão reforça sua relevância, especialmente no contexto do melanoma uveal metastático, uma neoplasia historicamente desafiadora e com opções terapêuticas limitadas. O PRAME é expresso em até 90 – 95% dos casos de melanoma uveal e cutâneo, mas o tratamento com IMA-203 requer a presença do HLA-A*02:01, condição essencial para elegibilidade.
O ensaio incluiu 16 pacientes com melanoma uveal metastáticos tratados com uma infusão única de anzu-cel, precedida por leucaférese e linfodepleção mieloablativa, seguida de suporte com IL-2 em baixa dose. Os resultados atualizados mostraram taxa de resposta objetiva de 67%, controle de doença de 88%, duração mediana de resposta de 11 meses, sobrevida livre de progressão de 8,5 meses e sobrevida global mediana ainda não alcançada após 14,3 meses de seguimento. Esses dados, inicialmente apresentados na ASCO 2025, foram atualizados com maior número de pacientes e tempo de acompanhamento, reforçando a robustez e a durabilidade das respostas observadas.
O tratamento demonstrou perfil de segurança favorável, com eventos adversos majoritariamente atribuídos à linfodepleção e ao uso de IL-2, incluindo citopenias e síndrome de liberação de citocinas predominantemente grau 1 – 2, resolvidas até o dia 14, e sem óbitos relacionados à terapia. A toxicidade foi considerada manejável, com boa tolerabilidade global.
O próximo passo será a expansão da coorte de fase 2, que deve incluir cerca de 30 pacientes com melanoma uveal metastático, com perspectiva de um estudo pivotal subsequente. A alta prevalência do PRAME e o benefício clínico sustentado observados reforçam o potencial do IMA-203 como nova alternativa terapêutica personalizada para uma população com grande necessidade médica não atendida. Essa plataforma inovadora tem potencial para representar um divisor de águas no tratamento do melanoma uveal metastático, onde a imunoterapia convencional ainda apresenta eficácia limitada.
Avaliador científico:
Dra. Érika Andrade Rocha
Oncologista clínica pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) – USP
Oncologista clínica no Rede D’Or – Salvador/BA
Instagram: @erikaandrade.oncologista
Cidade de atuação: Salvador/BA
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