SBOC Review
Início » SBOC Review » Sobrevida com Trastuzumabe Emtansina em câncer de mama HER-2 positivo residual [▶ Comentário em vídeo]

Sobrevida com Trastuzumabe Emtansina em câncer de mama HER-2 positivo residual [▶ Comentário em vídeo]

Comentário em vídeo:

 

Resumo do artigo:

O estudo KATHERINE é um ensaio clínico de fase III que avalia a eficácia de trastuzumabe emtansina (T-DM1), um anticorpo droga-conjugado (ADC), em comparação com trastuzumabe em pacientes com câncer de mama HER-2 positivo que apresentavam doença residual após terapia neoadjuvante. A análise primária já havia demonstrado resultados promissores em sobrevida livre de doença invasiva (iDFS), alterando o padrão de tratamento adjuvante neste cenário. A atualização de 2025, com dados de sete anos, reforça o benefício de T-DM1 na redução de recorrência e na melhora da sobrevida global.

O KATHERINE foi desenhado como um estudo multicêntrico, randomizado e aberto, incluindo pacientes com câncer de mama HER-2 positivo em estágio inicial, submetidos à terapia neoadjuvante à base de taxano e anticorpos anti-HER, que apresentavam doença invasiva residual na mama ou em linfonodos. Os pacientes foram alocados na proporção 1:1 para receber T-DM1 na dose de 3,6 mg/kg a cada três semanas por 14 ciclos ou trastuzumabe na dose de 6 mg/kg a cada três semanas por 14 ciclos.

A análise por intenção de tratar incluiu 743 pacientes em cada grupo. A mediana de idade foi de 49 anos, e 99,7% da população eram mulheres, com aproximadamente 72% apresentando receptores hormonais positivos. As características basais foram semelhantes entre os dois braços de tratamento. O desfecho primário foi iDFS, definida como tempo entre a randomização e a primeira ocorrência de recorrência invasiva ipsilateral, câncer de mama contralateral, recorrência à distância ou morte por qualquer causa. As análises secundárias incluíram sobrevida global, sobrevida livre de recorrência à distância e segurança.

Na atualização de sete anos dos dados de iDFS, observou-se uma redução de 46% no risco de recorrência invasiva ou óbito (HR 0,54; IC 95% 0,44-0,66), com taxas de iDFS de 80,8% no grupo T-DM1 e de 67,1% no grupo trastuzumabe, refletindo uma diferença absoluta de 13,7 pontos percentuais. Na análise de subgrupos, em pacientes com imunohistoquímica 3+, a iDFS foi de 82,8% com T-DM1 e de 66,5% com trastuzumabe (HR 0,47, IC 95% 0,37-0,60). Já entre aqueles com imunohistoquímica 2+, as taxas de iDFS foram de 72,4% com T-DM1 e de 68,8% com trastuzumabe (HR 0,84, IC 95% 0,56-1,25). A maioria dos eventos registrados foi de recorrência à distância.

Aos sete anos, a taxa de sobrevida global foi de 89,1% com T-DM1 e 84,4% com trastuzumabe (HR 0,66, IC 95% 0,51-0,87, p=0,003), representando uma diferença absoluta de 4,7 pontos percentuais. No mesmo período, a sobrevida livre de recorrência à distância foi de 84,5% no grupo T-DM1 e 76,2% no grupo trastuzumabe (HR 0,60, IC 95% 0,47-0,76).

Eventos adversos de grau 3 ou superior ocorreram em 26,1% das pacientes tratadas com T-DM1, em comparação a 15,7% daquelas tratadas com trastuzumabe. Contudo, após o tratamento, eventos adversos foram pouco frequentes em ambos os grupos (1,7% no grupo trastuzumabe e 3,2% no grupo T-DM1). A toxicidade cardíaca na avaliação pós-tratamento foi infrequente.

 

Comentários da avaliadora científica:

O estudo KATHERINE, atualizado em 2025, reforça o potencial do T-DM1 como adjuvante no câncer de mama HER2+ com doença residual, reduzindo em 46% o risco de recorrência ou morte e mostrando ganho em sobrevida global.

O desenho randomizado e multicêntrico confere alta confiabilidade, mas limitações incluem a sub-representação de afrodescendentes (2,7%) e a ausência de cegamento, que pode introduzir vieses.

Apesar dos benefícios, o alto custo e o acesso restrito dificultam sua aplicação ampla, especialmente em países de baixa renda. Eventos adversos graves ocorreram em 26,1% dos pacientes, limitando seu uso em indivíduos frágeis.

Perspectivas incluem combinações com tucatinibe (CompassHER2 RD) e atezolizumabe (ASTEFANIA), além de novos anticorpos conjugados. Biomarcadores podem refinar a seleção de pacientes, e estratégias de custo são cruciais para ampliar o acesso.

Este estudo é um marco na oncologia mamária, consolidando a terapia personalizada em casos de doença residual e destacando a neoadjuvância como ferramenta para avaliar, de forma in vivo, a sensibilidade ao tratamento.

 

Citação: Geyer CE Jr, Untch M, Huang CS, et al. KATHERINE Study Group. Survival with Trastuzumab Emtansine in Residual HER2-Positive Breast Cancer. N Engl J Med. 2025 Jan 16;392(3):249-257. doi: 10.1056/NEJMoa2406070.

 

Avaliadora científica:

Dra. Maiane Maria Pauletto

Oncologista Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) – Porto Alegre/RS

Oncologista Clínica na Irmandade Santa Casa de Porto Alegre – Porto Alegre/RS.

Instagram: @maipauletto

Cidade de atuação: Porto Alegre/RS

Análise realizada em colaboração com o oncologista sênior Dr. Tomás Reinert.

Leia mais artigos

Buscar por
título do artigo
Editora
Dra. Martina Arenhardt
Médica oncologista pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Saiba mais.
Conheça mais sobre o SBOC Review!
Assine nossa newsletter

Endereço
Avenida Paulista, 2073, Edifício Horsa II – Conjunto Nacional Conj. 1003, São Paulo/SP, 01311-300

Telefone
+55 (11) 3192-9284

2026 © Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)