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Highlights de Tumores Gastrointestinais Alto

MATTERHORN

Título em inglês:

Final overall survival (OS) and the association of pathological outcomes with event-free survival (EFS) in MATTERHORN: A randomised, phase III study of durvalumab (D) plus 5-fluorouracil, leucovorin, oxaliplatin and docetaxel (FLOT) in resectable gastric/gastroesophageal junction (G/GEJ) adenocarcinoma

Título em português:

Sobrevida global final e associação dos desfechos patológicos com a sobrevida livre de eventos no estudo MATTERHORN: um estudo randomizado, fase III, de durvalumabe em combinação com 5-fluorouracil, leucovorin, oxaliplatina e docetaxel (FLOT) em pacientes com adenocarcinoma gástrico e da junção gastroesofágica ressecável.

 

Resumo do artigo:

O MATTERHORN é um estudo de fase III, randomizado, duplo-cego e multicêntrico que avaliou o impacto da adição de durvalumabe ao regime FLOT (fluorouracil, leucovorin, oxaliplatina e docetaxel) no tratamento perioperatório de pacientes com adenocarcinoma gástrico ou de junção gastroesofágica ressecável. Foram elegíveis pacientes com doença em estádios II a IVA (AJCC 8ª edição), sem metástases e com ECOG 0-1. Ao todo, 948 pacientes foram randomizados (1:1) para receber durvalumabe + FLOT ou placebo + FLOT. O durvalumabe foi administrado na dose de 1500 mg a cada 4 semanas (D1 de cada ciclo), em combinação com o regime FLOT, aplicado a cada 14 dias por 4 ciclos -sendo dois neoadjuvantes e dois adjuvantes – seguidos por durvalumabe ou placebo em monoterapia por até 10 ciclos adicionais. Os principais desfechos avaliados foram sobrevida livre de eventos (SLE), sobrevida global (SG) e resposta patológica completa (RPC).

As características basais dos pacientes foram equilibradas entre os grupos: idade mediana de 62 anos, 72% homens, 67,5% com tumor gástrico e 32,5% de junção gastroesofágica; cerca de 69,5% apresentavam linfonodos clinicamente positivos e 19% foram recrutados em centros asiáticos. Em relação ao PD-L1, 10% apresentavam expressão <1% e 90% ≥1%. A análise primária publicada no New England Journal of Medicine demonstrou ganho significativo em SLE e RPC com durvalumabe, e os resultados atualizados apresentados na ESMO 2025 confirmaram também benefício em SG. Após um seguimento mediano de 43 meses, a SG em 36 meses foi de 68,6% no grupo durvalumabe + FLOT versus 61,9% no grupo placebo + FLOT, com hazard ratio (HR) de 0,78 (IC 95% 0,63 – 0,96; p = 0,021), atingindo significância estatística. O benefício em SG foi consistente independentemente da expressão de PD-L1, com HR semelhantes nos subgrupos TAP <1% e TAP ≥1%.

A taxa de RPC foi de 19,2% no braço durvalumabe e 7,2% no braço placebo e a proporção de indivíduos que atingiram ypN– foi superior com durvalumabe (58,2% vs 44,8%). Os graus de resposta patológica correlacionaram-se com maior benefício e o efeito positivo do durvalumabe foi observado independentemente do status nodal. O perfil de segurança foi semelhante entre os grupos, com taxas comparáveis de eventos adversos grau 3-4 (71,6% vs 71,2%), e com eventos imuno-mediados mais frequentes no grupo durvalumabe (23,2% vs 7,2%).

Em conclusão, os resultados apresentados na ESMO 2025 demonstraram que o durvalumabe associado ao FLOT proporcionou ganho significativo e clinicamente relevante em SG, consolidando o benefício previamente observado em SLE e RPC. Nenhum subgrupo apresentou vantagem ou desvantagem diferencial, e a resposta patológica – em seus diferentes graus – emergiu como um marcador de benefício com a adição de durvalumabe. Assim, o regime durvalumabe + FLOT se estabelece como o novo padrão de tratamento perioperatório para pacientes com adenocarcinoma gástrico ou de junção gastroesofágica ressecável.

 

FORTITUDE 101

Título em inglês:

Bemarituzumab (BEMA) plus chemotherapy for advanced or metastatic FGFR2b-overexpressing gastric or gastroesophageal junction cancer (G/GEJC): FORTITUDE-101 phase III study results

Título em português:

Bemarituzumabe em combinação com quimioterapia para o tratamento do câncer gástrico ou da junção gastroesofágica avançado ou metastático com superexpressão de FGFR2b: resultados do estudo FORTITUDE-101 de fase III.

 

Resumo do artigo:

O FORTITUDE-101 é um estudo de fase III, randomizado e duplo-cego, que avaliou o bemarituzumabe, um anticorpo monoclonal anti-FGFR2b, em combinação com mFOLFOX6, em pacientes com adenocarcinoma gástrico ou de junção gastroesofágica avançado ou metastático, com superexpressão de FGFR2b (≥10% de células tumorais 2+/3+ por imuno-histoquímica) e HER2 negativo. Participaram 324 pacientes (159 no grupo bemarituzumabe + mFOLFOX6 e 165 no grupo placebo + mFOLFOX6). As características basais foram equilibradas: idade mediana de 62 anos, 68% homens, 80% com tumor gástrico e cerca de 36% apresentavam metástases hepáticas.

O estudo atingiu seu endpoint primário, demonstrando melhora significativa da sobrevida global (SG) na análise interina, com mediana de 17,9 meses vs 12,5 meses (HR 0,61; IC 95% 0,43 – 0,86; p = 0,005). Também houve benefício em sobrevida livre de progressão (SLP) – 8,6 vs 6,7 meses (HR 0,71; IC 95% 0,53-0,95; p = 0,019) – embora a taxa de resposta objetiva tenha sido semelhante entre os grupos (45,9% vs 44,8%). Em análise posterior, apresentada na ESMO 2025, observou-se atenuação do efeito em SG após seguimento mais prolongado (14,5 vs 13,2 meses; HR 0,82; IC 95% 0,62-1,08).

Quanto à segurança, os eventos adversos mais comuns de grau ≥3 relacionados ao bemarituzumabe foram eventos oculares corneanos com redução da acuidade visual em 33% dos pacientes, sendo que 90% desses eventos se resolveram (grau ≤1). Outros eventos de grau ≥3 incluíram neutropenia (31%), anemia (9%) e estomatite (7%).

Em resumo, o FORTITUDE-101 mostrou que a adição de bemarituzumabe à quimioterapia promoveu melhora estatisticamente significativa em SG e SLP, embora com benefício clínico modesto e efeito atenuado ao longo do tempo. A toxicidade ocular é relevante e requer monitoramento cuidadoso. Apesar disso, os resultados reforçam o FGFR2b como um alvo terapêutico promissor no câncer gástrico avançado.

 

COMPETE

Título em inglês:

Efficacy, safety and subgroup analysis of 177Lu-edotreotide vs everolimus in patients with grade 1 or grade 2 GEP-NETs: Phase III COMPETE trial.

Título em português:

Eficácia, segurança e análise de subgrupos de 177Lu-edotreotida versus everolimo em pacientes com tumores neuroendócrinos gastroenteropancreáticos grau 1 ou grau 2: estudo de fase III COMPETE.

 

Resumo do artigo:

O COMPETE é o primeiro estudo de fase III a comparar diretamente uma terapia radioligante com um agente alvo aprovado em tumores neuroendócrinos gastroenteropancreáticos (TNE-GEP) bem diferenciados, graus 1 ou 2. O estudo avaliou 177Lu-edotreotida (7,5 GBq a cada 3 meses por 4 ciclos) versus everolimo 10 mg/dia em 309 pacientes com doença metastática ou irressecável, positiva para receptores de somatostatina, tratados em 1ª ou 2ª linha. As características basais foram equilibradas, com predomínio de TNE-GEP não funcionais, grau 2 e previamente expostos a uma linha de tratamento.

O estudo atingiu seu endpoint primário, demonstrando sobrevida livre de progressão (SLP) significativamente maior com 177Lu-edotreotida: 23,9 vs 14,1 meses (HR 0,67; IC 95% 0,48-0,95; p = 0,022) por revisão central, resultado confirmado pela avaliação local (24,1 vs 17,6 meses; p=0,010). O benefício foi consistente em todos os subgrupos, incluindo tumores de origem pancreática e gastrointestinal, e mais pronunciado em tumores grau 2 (21,7 vs 9,2 meses; HR 0,55; p = 0,003) e em pacientes tratados em segunda linha (23,9 vs 14,1 meses; HR 0,68; p = 0,039).

A taxa de resposta objetiva também foi significativamente superior no braço da radioligante – 21,9% vs 4,2% por revisão central (p < 0,0001) e 30,5% vs 8,4% por avaliação local (p < 0,0001). O perfil de segurança foi favorável, com eventos adversos compatíveis com o esperado para terapia radioligante. Observou-se menor taxa de descontinuação precoce por eventos adversos relacionados ao tratamento no grupo 177Lu-edotreotida em comparação ao everolimo (1,8% vs 15,2%). Apenas um caso de síndrome mielodisplásica foi relatado, sem ocorrência de leucemia aguda.

Em conclusão, o COMPETE demonstrou superioridade de 177Lu-edotreotida sobre o everolimo em SLP e taxa de resposta, com perfil de segurança manejável. Esses resultados reforçam a terapia radioligante como uma estratégia eficaz para pacientes com TNE-GEP grau 1 ou 2, posicionando o 177Lu-edotreotida como uma potencial opção preferencial em 1ª ou 2ª linha.

 

Avaliador científico:

Dra. Emily Tonin da Costa

Oncologista clínica pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Título de Especialista em Oncologia Clínica pela SBOC

Mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Fellowship em Pesquisa Clínica em Oncologia no Hospital Moinhos de Vento

Clinical Research Fellow no Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG)

Instagram: @emilytonin

Cidade de atuação: Caxias do Sul/RS

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Editora
Dra. Martina Arenhardt
Médica oncologista pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Saiba mais.
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