Título em português:
ASCENT-03: Sacituzumabe Govitecan como nova opção de primeira linha no TNBC metastático inelegível a imunoterapia
Título em inglês:
Sacituzumab Govitecan in Untreated, Advanced Triple-Negative Breast Cancer
Resumo do artigo:
Cerca de 60% das pacientes com câncer de mama triplo negativo metastático (mTNBC) são inelegíveis à imunoterapia em primeira linha, um cenário de necessidade não atendida, que atinge sobrevida livre de progressão (SLP) inferior a 6 meses com quimioterapia (QT). O Sacituzumabe Govitecan (SG), um ADC que tem TROP-2 como alvo, já havia demonstrado benefício em pacientes previamente tratadas (ASCENT) e em primeira linha, em combinação com Pembrolizumabe, para tumores PD-L1+ (ASCENT-04).
Por sua vez, ASCENT-03 é um estudo de fase 3, que comparou SG à QT em primeira linha para pacientes com doença irressecável ou mTNBC inelegíveis à imunoterapia. Metástases estáveis no SNC foram permitidas. A randomização 1:1 para SG (10 mg/kg IV D1 e D8 a cada 21 dias) ou QT à escolha do investigador (paclitaxel, nab-paclitaxel ou gemcitabina + carboplatina), com estratificação por região geográfica e status da doença: de novo, recorrência de 6 a 12 meses ou > 12 meses. O desfecho primário foi SLP e os secundários: sobrevida global, taxa de resposta objetiva (TRO), duração de resposta e segurança. Foram incluídas 558 pacientes, com mediana de idade de 55 anos. A maioria tinha doença metastática visceral pulmonar (60%) e PDL1- (99%). No braço controle, 55% receberam taxano e 45% carboplatina e gencitabina. A mediana de seguimento é de 13,2 meses.
Os resultados iniciais foram apresentados na ESMO em 2025 e demonstraram superioridade do SG em SLP (9,7 vs 6,9 meses; HR 0,62; IC95%, P < 0,0001), uma redução de 38% no risco de progressão da doença. A TRO foi semelhante (47%), no entanto, a duração de resposta mediana foi maior com SG (12,2 vs 7,2 meses). Dados de sobrevida global são imaturos. Eventos adversos grau ≥ 3 registrados em (˜60%), em ambos os braços, sendo neutropenia (43%) e diarreia (9%) os mais frequentes com SG. A descontinuação do tratamento foi menor com SG 4 vs 12%.
O ASCENT-03 consolida o Sacituzumabe Govitecano como uma nova opção de primeira linha para pacientes com mTNBC inelegíveis à imunoterapia. Embora a taxa de resposta objetiva tenha sido semelhante à da QT, a duração sustentada das respostas e o ganho em SLP confirmam a atividade clínica do ADC, mesmo em uma população de pior prognóstico. Vale destacar que o braço controle permitia poliquimioterapia, o que possivelmente reduziu a magnitude do benefício em taxa de resposta, e que pacientes com progressão precoce (<6 meses após tratamento curativo) foram excluídas, limitando a extrapolação nesse cenário.
O perfil de segurança foi manejável, mas a alta incidência de neutropenia grau ≥3 sugere considerar profilaxia primária com fator estimulador de colônias de granulócitos. A baixa representatividade de mulheres negras (~4%) e a ausência de benefício em ≥65 anos observada na análise exploratória merecem investigação adicional. Análises de dados de sobrevida global e qualidade de vida serão determinantes para consolidar o papel definitivo do SG nesse cenário, especialmente frente a outros ADCs, como o Datopotamabe Deruxtecana (TROPION-Breast 02).
Título em português:
TROPION-Breast02: Dato-DXd como tratamento de primeira linha para câncer de mama triplo-negativo metastático inelegível à imunoterapia
Título em inglês:
TROPION-Breast02: Dato-DXd as First-Line Treatment for Immunotherapy-Ineligible mTNBC
O câncer de mama triplo-negativo metastático (mTNBC) inelegível à imunoterapia é o subtipo mais agressivo, com sobrevida global (SG) em 5 anos em torno de 14,9%. Para esse cenário, a quimioterapia continua sendo a escolha padrão. O estudo fase III TROPION-Breast02 avaliou se o Datopotamabe Deruxtecan (Dato-DXd), um conjugado anticorpo-droga (ADC) direcionado a TROP-2, poderia melhorar os desfechos clínicos nessa população.
Foi realizada randomização (1:1) para Dato-DXd (6 mg/kg IV a cada 3 semanas) ou quimioterapia de escolha do investigador (nab-paclitaxel, capecitabina, eribulina ou carboplatina). Houve estratificação para: região geográfica, status de PD-L1 e intervalo livre de doença (de novo, ≤ 12 meses, > 12 meses). O desenho não permitiu crossover. Os desfechos primários foram duais: sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP).
644 pacientes foram incluídas, com a mediana de seguimento de 27,5 meses, 34% com doença metastática de novo e aproximadamente 15% das pacientes rapidamente progressoras (<6 meses do último tratamento curativo). A maioria tinha doença visceral (˜70%). Os resultados primários foram apresentados na ESMO 2025 e demonstraram benefício estatisticamente significativo tanto em SLP (HR 0,57 [IC 95% 0,47–0,69]; p=0,001), quanto em SG (HR de SG 0,79 [IC 95% 0,64–0,98]; p=0,0291). Quanto ao perfil de segurança, Dato-DXd apresentou taxas de eventos grau 3 semelhantes, mas com menor taxa de descontinuidade do que QT. Os eventos de maior interesse foram mucosite, olho seco e náusea.
O Dato-DXd é o primeiro ADC a demonstrar benefício significativo em sobrevida global e livre de progressão na 1ª linha de mTNBC inelegível à imunoterapia. Frente ao ASCENT-03, o TROPION-Breast02 avaliou uma população com doença de compomento mais agressivo e sem permissão de poliquimioterapia no braço controle, reforçando o impacto clínico do Dato-DXd. O manejo proativo dos eventos adversos de estomatite e oculares é essencial, porém a menor mielotoxicidade e alta taxa de resposta fazem deste ADC uma nova opção promissora para pacientes com necessidade de resposta rápida e melhor perfil de toxicidade hematológica.
Avaliador científico:
Dra. Ana Carolina Teixeira Pires
Oncologista clínica pelo INCA
Oncologista clínica no Grupo Oncoclínicas & CO e no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (EBSERH)
Título de Especialista em Oncologia Clínica pela SBOC
Membro do Comitê de Tumores em Adolescentes e Adultos Jovens da SBOC
Cursando MBA em Gestão e Inovação na Saúde pela PUC-RS
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