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Imunoterapia adjuvante reduz recidiva no carcinoma cutâneo espinocelular de alto risco

Citação:

Rischin D, Porceddu S, Day F, Brungs DP, Christie H, Jackson JE, et al. C-POST Trial Investigators. Adjuvant Cemiplimab or Placebo in High-Risk Cutaneous Squamous-Cell Carcinoma. N Engl J Med. 2025 Aug 21;393(8):774-785. doi: 10.1056/NEJMoa2502449

Resumo do artigo:

O estudo C-POST avaliou o uso de cemiplimabe adjuvante em pacientes com carcinoma cutâneo espinocelular (CEC) de alto risco após cirurgia curativa e radioterapia pós-operatória. Esses dados trazem embasamento em um cenário no qual não haviam terapias sistêmicas adjuvantes com benefício comprovado, sendo a conduta padrão associada ao controle local e observação.

O C-POST é um estudo randomizado, fase III, controlado por placebo, duplo cego, multicêntrico, em que os pacientes foram randomizados para receber cemiplimabe adjuvante (350 mg) ou placebo, administrado por via intravenosa a cada 3 semanas durante 12 semanas, seguido de um aumento da dose para 700 mg, administrado a cada 6 semanas, por até 36 semanas (até 48 semanas no total).

Os pacientes deveriam ter completado cirurgia de intenção curativa e radioterapia pós-operatória a uma dose de pelo menos 50Gy dentro de 2 a 10 semanas antes da randomização. Foram considerados pacientes de alto risco de recorrência de acordo com os critérios ganglionares (extensão extracapsular com o maior linfonodo ≥ 2 cm ou ≥ 3 linfonodos comprometidos independente da extensão extracapsular) e/ou não ganglionares (metástases em trânsito, invasão perineural, lesões T4 ou recidiva local associada a pelo menos um outro fator adverso: ≥ N2b, ≥ T3 – diâmetro > 4,0 cm, tumor pouco diferenciado com lesão recorrente ≥ 2 cm).

O estudo tinha como desfecho primário a sobrevida livre de doença (SLD) e como desfechos secundários a ausência de recorrência locorregional, a ausência de recorrência à distância, a sobrevida global e a segurança. O cruzamento entre os braços (crossover) foi permitido após a recorrência da doença.

Foram randomizados 415 pacientes para cemiplimabe (n=209) ou placebo (n=206). De acordo com as características basais dos pacientes, a idade mediana foi de 71 anos (variação de 33 a 95), predominantemente homens (84%). A principal localização foi CEC primário de cabeça e pescoço (83%) e, quanto a categoria de alto risco, 58% enquadravam-se no critério linfonodal e 42% no não linfonodal.

Após uma mediana de seguimento de 24 meses, o cemiplimabe reduziu em 68% o risco de recidiva (hazard ratio – HR – 0,32; IC 95% 0,20–0,51; P<0,001). A SLD nesse período foi de 87,1% no grupo cemiplimabe versus 64,1% no grupo placebo. Houve também reduções importantes nas taxas de recidivas locorregionais (HR 0,20; IC 95% 0,09–0,40) e à distância (HR 0,35; IC 95% 0,17–0,72). O benefício foi consistente em todos os subgrupos, independentemente do status de PD-L1 tumoral.

Eventos adversos grau ≥ 3 ocorreram em 23,9% dos pacientes com cemiplimabe e em 14,2% com placebo, sendo a taxa de descontinuação do tratamento de 9,8% e 1,5%, respectivamente.

O C-POST consolida o papel do bloqueio de PD-1 no cenário adjuvante do CEC de alto risco. Trata-se do primeiro ensaio clínico de fase III positivo a demonstrar ganho clínico expressivo em sobrevida livre de doença nesse cenário. A toxicidade foi previsível e manejável, assim como os escores de qualidade de vida (EORTC QLQ-C30) não demonstraram piora clínica significativa entre os grupos.

Comentário do avaliador científico:

O estudo C-POST avaliou o uso de cemiplimabe adjuvante em pacientes com carcinoma cutâneo espinocelular (CEC) de alto risco após cirurgia curativa e radioterapia pós-operatória. Com um seguimento mediano de 24 meses, foi o primeiro ensaio clínico de fase III positivo a demonstrar ganho clínico expressivo em sobrevida livre de doença nesse cenário, com uma redução de 68% no risco de recidiva.

O benefício foi demonstrado de forma sustentada e consistente entre os subgrupos, inclusive em pacientes com PD-L1 negativo, reforçando a eficácia da imunoterapia neste cenário.

Embora o tratamento local seja curativo para a maioria dos pacientes, a população do estudo representa um alto risco de recorrência e carecia de tratamentos sistêmicos com potencial benefício de sobrevida. O curto seguimento ainda não permite emitir uma resposta definitiva em relação à sobrevida global.

Por fim, na primeira análise interina pré-especificada, os resultados reforçam o grande avanço da terapia sistêmica adjuvante com a adição de cemiplimabe e a possibilidade de retardar a recorrência em pacientes de alto risco.

Avaliador científico:

Dr. Fernando Scheleder Antunes

Oncologista clínico pelo Hospital Mãe de Deus – Porto Alegre/RS

Oncologista no Hospital Mãe de Deus, no Grupo Oncoclínicas e no Hospital Militar de Área de Porto Alegre (HMAPA). Sub-investigador em Pesquisa Clínica no Centro Gaúcho Integrado (CGI)

Instagram: @fernando.s.antunes

Cidade de atuação: Porto Alegre/RS

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Editora
Dra. Martina Arenhardt
Médica oncologista pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Saiba mais.
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